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Governo lança política de valorização do patrimônio cultural
Por Brenda Taketa - Idesp   
18-Sep-2008

A governadora Ana Júlia Carepa lançou, na manhã desta quarta-feira (17), a política estadual de valorização do patrimônio cultural e as ações voltadas às edificações históricas do Estado do Pará, por meio da Casa Civil e da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), com o apoio do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp). O lançamento foi feito no espaço do Palacete Faciola, localizado na avenida Nazaré, esquina com a travessa Doutor Moraes. O prédio entra em processo de restauro a partir do ano que vem, para abrigar a futura sede do Idesp, juntamente com outras obras voltadas à revitalização do Centro Histórico da Cidade e em municípios do interior.

Para Lélia Fernandes, diretora de patrimônio da Secult, o diferencial destas políticas de governo é o contraponto em relação ao que foi realizado na área cultural em décadas anteriores. “Trabalhamos com os princípios de multiculturalidade, que diz respeito à diversidade cultural do Estado, e sustentabilidade, pautada em princípios de inclusão social e promoção da cidadania”, explicou, ao destacar que os projetos culturais também buscam qualificar pessoas e incorporar mão-de-obra local.

“Esta forma de pensar a cultura vai muito além da capital do Estado e do patrimônio histórico edificado. Com isso, as ações de recuperação perdem o valor meramente contemplativo para que as pessoas participem efetivamente do processo, incorporando oportunidades de emprego e renda”, concluiu Fernandes.

De acordo com a Secult, até 2011, os recursos financeiros estimados somente para a execução das obras de preservação e recuperação do patrimônio edificado (entre os quais se destacam os prédios históricos, casas, igrejas, museus, fortificações, por exemplo) ultrapassam os R$ 80 milhões, para municípios como Belém, Santa Izabel, Abaetetuba, Bragança, Óbidos, Cametá, Vigia, Ponta de Pedras e Santarém.

Entre as atividades que devem marcar a programação de lançamento do dia 17, está a presença do grupo Territórios Urbanos que, além de grafitar os painéis expositivos no entorno da casa, em acordo com o projeto Arte na Obra, deve levar músicas com DJs e MCs, assim como apresentações de dança de rua.

Importância - Equilibrar o contraste das dinâmicas urbanas atuais e o acervo arquitetônico de uma cidade é um dos principais desafios das sociedades contemporâneas. No caso do Pará, que viveu a época áurea da borracha entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX e hoje tem o centro da capital como espaço estratégico para pontos comerciais, o choque de épocas torna-se mais evidente, com grandes prejuízos aos edifícios e prédios históricos que, em sua estrutura original, não estão preparados para atender às atividades modernas e apresentam alto custo de manutenção.

A rápida contextualização, feita pelo arquiteto e professor Jorge Derenji, da Universidade Federal do Pará, aponta a urgência de ações voltadas à preservação e recuperação do patrimônio histórico edificado. “Toda a iniciativa que envolva preservação do patrimônio histórico é louvável”, garantiu.

Para a arquiteta Filomena Longo, diretora de projetos da Secult, é fundamental que o Estado concentre esforços e políticas para a valorização da arquitetura vernacular – aquela que faz parte da cidade, com caráter regional – e não somente aos monumentos históricos. “Hoje, a arquitetura vernacular é a que mais sofre depredação e descaracterização pela sociedade, de maneira geral”, explicou.

Além disso, o processo de recuperação do patrimônio envolve a participação da sociedade, a partir de ações voltadas à visitação de obras, qualificação de profissionais, cursos de conservação preventiva de edificação e educação patrimonial. “Nosso maior desafio é quebrar a imagem ultrapassada de que o patrimônio é intocável. Queremos que as pessoas se apropriem do patrimônio existente, a partir do reconhecimento de sua importância. Só assim elas passam a amar e a defender toda esta riqueza cultural”, garantiu.

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